JOSÉ ANTONIO GOMES NETO - BARÃO DE CAETITÉ
Nasceu na Fazenda Rio Grande, em Ceraíma, então pertencente à Vila Nova do Príncipe e Santana de Caetité, filho do tenente coronel José Antônio Gomes Filho e D. Antonia Sophia de Azevedo Gomes, no ano de 1822. Formado em Direito no Recife, em 1846, assume em Caetité a função de juiz., casando-se com uma filha do Comendador João Caetano, D. Elvira Benedita de Albuquerque Gomes. Residia na Rua São Benedito (atual Rua Barão de Caetité), em casa inda existente. Exerceu a liderança política no sertão, recebendo a Comenda da Imperial Ordem da Rosa e depois o baronato, em 1880. Sua índole era moderada, de trato afável, o que lhe granjeou simpatia e admiração, refletida na condução dos destinos da cidade, quando exerceu a Intendência nos anos de 1880 a 84. Faleceu em Caetité, no ano de 1890.
NESTOR DUARTE GUIMARÃES
Nasceu aos 03.02.1902, no Largo da Feira (Praça Rodrigues Lima), em Caetité. Filho do Juiz dr. Francisco Duarte Guimarães, segue a carreira paterna, tornando-se um dos mais brilhantes juristas e políticos do século XX na Bahia. Deputado estadual e Federal, participa da Constituinte de 1946. orador e escritor de talento, chegou a ser considerado o mais inteligente deputado do Congresso, à época, ao que respondeu ser um exagero: "Não sou sequer o mais inteligente de minha cidade, Caetité, pois lá é a terra de Anísio Teixeira." Em 1947 apresentou na Câmara projeto de reforma agrária. Como Secretário de Agricultura no governo Otávio Mangabeira, criou o Instituto Biológico da Bahia. Destacado professor da veneranda Faculdade de Direito da UFBa, tem ali uma sala com seu nome. Quando a ditadura militar instalou o bipartidarismo no país, foi um dos fundadores do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição ao regime. Faleceu em Salvador, aos 25 de dezembro de 1970. Dentre seus livros destacam-se Gado Humano (romance "com relatos da vida do homem rural, tomando como referência algumas fazendas do sertão baiano. As histórias, além de ricas na valorização da cultura do homem do campo, trazem uma reflexão da relação homem e natureza") e A Ordem Privada e a Organização Política Nacional (SP, Cia Editora Nacional, 1939, estudo sócio-político da história).
JOSÉ BRITO
Nasceu aos 29.04.1916, em Caetité. Filho de Francisco de Brito Silva e D. Geraldina Nina de Brito Silva. Poucos amaram Caetité como "Seu Zé Brito", nem encarnaram como ele o espírito afável, simpático, religioso e familiar que distinguem o caráter do caetiteense verdadeiro. Foi professor, exator federal (auditor), maçom, tendo residido em Urandi, Bahia, onde nasceram muitos de seus filhos. Sonhava com o progresso moral, material e intelectual de sua terra, a qual ufanava com sincera paixão, vislumbrando sempre um futuro melhor e otimista. Seu falecimento aos 22.01.1999 enriqueceu a memória desta terra com a legítima e eterna saudade da mãe que se despede dum filho. Em reconhecimento à importância de Seu Zé, como era conhecido, a Academia Caetiteense de Letras, fundada aos 07 de setembro de 2001, o homenageou como patrono de sua cadeira número oito.
VALDICK SORIANO
Nascido aos 13.05.1933, no distrito de Brejinho das Ametistas, com o nome de Eurípedes, era filho de Manoel Sebastião Soriano. Em Caetité viveu sua juventude, sempre boêmia, até um incidente no AeroClub, que o fez tentar a sorte fora da cidade. Indo para São Paulo tentar a sorte como artista, foi até engraxate, para não ter de pedir ajuda à família. A partir dos anos 50 do século XX, já com o nome artístico de Valdick, e um visual que incluía inseparáveis chapéu e óculos escuros, com roupa sempre preta, conquistou inaudito sucesso, em especial no Nordeste. Como cantor brega, seus sucessos são ainda conhecidos: "Quem és tu?" (da sua 1ª gravação), "Paixão de um Homem", "A Carta" (J. Louzada/ J. Gonçalves), "A Dama de Vermelho", "Se Eu Morresse Amanhã" e aquele mais conhecido de todos "Eu Não Sou Cachorro Não".
PLÍNIO DE LIMA
O poeta Plínio Augusto Xavier de Lima nasceu em Caetité, em 1848 , numa casa onde hoje está a residência episcopal, filho do ten. Cel. Antonio Joaquim de Lima e D. Francelina de Albuquerque Lima. Foi estudar Direito na Faculdade do Recife, onde travou amizade com Castro Alves. Junto a este, fundou uma sociedade abolicionista, da qual foi Plínio o presidente. Seus poemas eram publicados nos jornais da capital pernambucana, e alcançou sucesso em Salvador, tendo seus versos, musicados, alcançado grande popularidade que o colega só alcançaria mais tarde. Retornando a sua terra natal, estava cheio de planos e ideais, mas adoece, falecendo aos 17 de abril de 1873. Teve o maior enterro da História Caetiteense, saindo o féretro da casa paterna, sita numa rua onde depois foi erguida a Escola Normal (atual Grupo Escolar Sen. Ovídio Teixeira) em estações onde eram cantados mementos, e sepultado no cemitério que ficava nos fundos da Igreja de São Benedito. Parte de seus poemas foram reunidos, no começo do século XX, no livro PÉROLAS RENASCIDAS.
JOAQUIM MANOEL RODRIGUES LIMA
Era sobrinho do Barão, e filho do Capitão Joaquim Manoel Rodrigues Lima e d. Rita Sophia Gomes Lima. Nasceu em Caetité, aos 04 de maio de 1845. Aos dez anos foi estudar na capital, ingressando em 1862 na Escola de Medicina, obtendo os melhores graus. Quintanista, agravando-se a guerra do Paraguai, serve nos hospitais de sangue como cirurgião. Sobrevive com heroísmo ao naufrágio do navio que o conduzia. Retorna em 1869, quando cola o grau. De volta a Caetité, casa-se com a primogênita do Barão, d. Maria Victoria Gomes de Albuquerque Lima. Aqui dedica-se à medicina e às fazendas. Na política ocupa a legislatura em três ocasiões, na antiga Assembléia Provincial. Realiza extensa excursão pela Europa em 1876 e 77, onde realiza estudos médicos em clínicas diversas. Era o presidente da câmara municipal, quando proclamada a República. Em 1891, quando se organizavam os partidos políticos e eram escolhidos os candidatos para a constituinte, foi o dr. Rodrigues Lima, então Intendente da cidade, indicado nas chapas de ambos os partidos. Ali propõe a mudança da capital do Estado para o interior (art. 12 das disposições transitórias) que, se efetivado, mudaria a História baiana, com maior progresso. Em 1892 tem seu nome indicado para ser o primeiro governador eleito da Bahia, numa vitória brilhante sobre os adversários. Seu governo foi marcado pela reestruturação administrativa, incentivo total à cultura e educação, marcando sobretudo pela probidade (em diversas ocasiões escrevia a seu procurador em Caetité para que lhe mandasse dinheiro, pois nunca se valeu do erário estadual em proveito próprio). Acometido de grave moléstia hepática adquirida ainda na campanha paraguaia, retorna ã Caetité natal. Aqui ainda ocupa a vereança, mas a saúde lhe falta cada vez mais. Falece, padecendo dores atrozes, na casa da família, à rua Barão, aos 18/12/1903. Caetité, que lhe prestara as maiores homenagens no retorno, realiza a maior despedida da História, superando aquele de seu primeiro poeta.
ARISTIDES CÉSAR SPÍNOLA ZAMA
Nasceu em Caetité, aos 19.11.1837, único filho de Rita de Souza Spínola e do médico italiano César Zama (de Faenza). Estudou Medicina na faculdade de Salvador, ocasião em que serviu na Guerra do Paraguai. Teve intensa vida política na Bahia e no Rio de Janeiro: Deputado Provincial no Império, por vários mandatos, foi constituinte na República. De notável cultura, polemizou com Ruy Barbosa. Historiador, publicou dois volumes sobre os generais da antiguidade: Júlio César, Aníbal e Alexandre Magno, e o volume "Os Grandes Oradores da Antiguidade". Com o pseudônimo de Wolsey escreveu: "Libelo Republicano" e "Comentários sobre a Campanha de Canudos". Morre em Salvador, aos 21.10.1906.
ARISTIDES DE SOUZA SPÍNOLA
Nasceu em Caetité em 29.08.1850. Foi laureado pela Faculdade de Direito do Recife. Nomeado por D. Pedro II presidente da Província de Goiás. Deputado mais jovem do Império e, depois, da República. Co-fundador do Jornal do Brasil, era considerado uma das maiores culturas jurídicas do País. Converso ao espiritismo, torna-se fervoroso defensor e propagador da fé, numa época em que esta mais é perseguida. Presidiu a Federação Espírita Brasileira, FEB, em duas ocasiões. Morre, no Rio de Janeiro, em 09.07.1925. No ano de 1905, em visita a sua cidade natal, funda juntamente ao Coronel Lima Jr.. o Ten. Cel. Otacílio Rodrigues Lima e João Antonio dos Santos Gumes, o Centro Psychico de Caetité, depois com seu nome, sito à rua 2 de julho.
JOÃO ANTÔNIO DOS SANTOS GUMES
Nasceu em Caetité, aos 10.05.1858, filho de João Antonio dos Santos Gumes e D. Ana Luiza. Inteligência incomum, lançou o Jornal A Penna, em 1897, primeiro do interior baiano. Pintor, arquiteto (fez o projeto do teatro centenário, que substituiu o teatro 2 de julho), advogado provisionado, coletor, cronista, jornalista e escritor, tendo publicado os romances "O Sampauleiro" e "O Analphabeto", e a peça "A Abolição". Junto ao Dr. Aristides Spínola, fundou em 1.905 o Centro Psíquico de Caetité, depois Centro Espírita Aristides Spínola, um dos mais antigos do país. Pesquisador da história local, também foi músico e político. Morre aos 29.04.1930, em Caetité, deixando um legado insuperável pela probidade, conhecimento e civismo.
ANÍSIO SPÍNOLA TEIXEIRA
Nasceu em Caetité, aos 12.07.1900, filho do líder local Dr. Deocleciano Pires Teixeira e D. Ana Spínola Teixeira. Formou-se em Direito, em 1923, ocupando logo o cargo de Diretor da Instrução da Bahia (que atualmente equivale a Secretário). Lutou toda a vida para levar a educação a cada um dos brasileiros. Engendrou e fundou a Universidade Nacional de Brasília, UNB, da qual foi reitor. Perseguido por suas idéias pela ditadura militar, não se evade do país. Falece misteriosamente no Rio de Janeiro a 17.04.1971, quando prestes a entrar para a Academia Brasileira de Letras.
ALFREDO JOSÉ DA SILVA
Nasceu em Baixão de Nossa Senhora d'Ajuda, em Santo Amaro da Purificação, aos 20.04.1887, filho de D. Maria Afra da Costa. Vindo morar em Caetité, como professor da recém-criada Escola Normal, em 1926. Logo se tornou seu segundo Diretor (1.930/35). Ao fim da Segunda Guerra Mundial, retornando o país à democracia, ocupa o cargo de Prefeito em 1946. Homem de letras, sua biblioteca e cultura não encontraram par em nossa história, bem como o legado imortal de que o saber vence todos os preconceitos, mesmo aqueles mais arraigados. Morre em Caetité, no ano de 1985.
DURVAL PÚBLIO DE CASTRO
Nasceu em Caetité, aos 25.01.1886, filho de Lauro Dantas de Castro e D. Emília Soares Públio de Castro. Comerciante, político, apaixonado pela Cidade, Durval Castro foi dessas figuras raras que transformam a política em civismo, e colocam o interesse coletivo sobre os pessoais e momentâneos. A ele devemos a campanha cívica para a construção do Teatro Centenário. Atuou na oposição ao dr. Deocleciano Teixeira, revelando grandeza de caráter e ideais, além de subida probidade. Progressista, teve sua casa projetada pelo engenheiro alemão Affonso Mayer Hoffmann ("Seu Maia"), até hoje encantando por sua arquitetura única. O amor pela cultura é seu maior legado, cujos herdeiros numerosos souberam preservar. Morreu aos 19.05.1971, em Caetité.
MARCELINO JOSÉ DAS NEVES
Nasceu em Caetité, em 1841, filho de Marcelino Neves e D. Maria Teodolina de Azevedo Veiga. Tendo o pai abandonado o lar, assume, como primogênito, a família. Decidido a ser professor, leciona em diversas cidades até retornar para Caetité. Inteligência invulgar, escritor, lega-nos a peça teatral O Designado, sobre a Guerra do Paraguai, os romances Naninha e Mulher do Xale Preto, inéditos, e Lavras Diamantinas, este editado postumamente. Marco na cultura caetiteense, o Prof. Marcelino José das Neves falece em 1918, em Caetité, vítima da gripe espanhola, epidemia mundial que ceifou vidas em todo o planeta, inclusive o próprio Presidente, Venceslau Brás, além de cerca de 15.000 brasileiros.
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CAMILLO DE JESUS LIMA
Nasceu em Caetité, aos 08.09.1912, filho de Francisco Fagundes de Lima e D. Esther Fagundes da Silva. Seu registro consta como sendo Camillo de Jesus Fagundes. Seu pai era professor renomado. Camillo torna-se adepto do comunismo, sofrendo várias perseguições ao longo da vida. Considerado pela crítica um dos maiores poetas baianos do século XX, teve sua obra reconhecida já em 1942, quando recebeu o prêmio Raul de Leoni da Academia Carioca de Letras, com o livro Poemas. Escreve e publica ainda As Trevas Noite Estão Passando (1941), Viola Quebrada (1945), Novos Poemas (1945), Cantigas da Tarde Nevoenta (1955), A Mão Nevada e Fria da Saudade (?), O Livro de Miriam (1973) e Cancioneiro do Vira-Mundo, todos de poesia, e ainda: Memórias do Professor Mamede Campos (romance), A Bruxa do Fogão Encerado e Vícios (contos), Bonecos (perfis). Em 1964 é preso pelo golpe militar que instalou a ditadura. Morre, em atropelamento suspeito, em Itapetinga, em 1975. Leia Mais::. |